quinta-feira, 27 de novembro de 2008





À BEIRA DO RIO

(Abril 2003)


À beira do rio
Não tenho mais alegria
Nem o milagre dos peixes
Solidão,me deixe em paz
E todos choravam e diziam:
-O meu rio foi embora...
Pagavam doses caras
Em um mundo hipócrita
E todos bebiam e choravam,dizendo:
-Meu rio foi embora
Isso tudo corre na família
O ribeiro corre pro rio
E o rio corre pro mar
A gente agora só espera
Pela virada da maré
Asfalto elitizado
Sugando pobres enxurradas
Àgua é ouro,ouro é nada
Defronte da nossa sede
De justiça
(À beira do rio).

Ely Mira/L. Ribeiro

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

ROCK:O FUTURO DO PRESENTE


A pergunta que já vem há anos no universo rock’n’roll: existe ainda validade na atitude de um gênero musical que figurou como trilha sonora das profundas mudanças na sociedade ocidental a partir da segunda metade do século XX? É a Cultura Rock na mira outra vez,de novo,novamente. Nascido na afro-raiz do blues, tomou de assalto o establishment estadunidense no início da Guerra Fria (a Terceira Mundial),fez as malas pras Europas nos anos sessenta da experiência cubana,da Primavera de Praga,da guerra americana na Indochina, de Paris 68,da química contraceptiva e da psicodelia. Cá em nossa Pindorama na geléia geral foi o braço armado de guitarras fuzz da Trópicália. Com o desbunde estratégico,tornou-se a guarida alternativa da juventude do brasilgrande até chegar o tempo para eleições diretas , assumindo o primeiro plano na música feita no país. Foi a hora e a vez do hoje nostálgico movimento oitentista .
No entanto, a questão não deseja emudecer, pois a arte e a civilização vivem no compasso da Indústria Cultural e o que era revolucionário (no sentido de literalmente virar a mesa) pode ser tomado como ítem no catálogo dos entretenimentos, já que o sistema no qual vivemos recicla e adapta os bens ao gosto manipulado do freguês,com seus anti-corpos diluídos em modismos de ocasião.


Mas não sejamos tão apocalípticos agora. A sobrevida do R&R vem da sua adaptação e a consciência de que o alternativo não se esgota em seu próprio habitat. Ele precisa rejeitar os antigos esquemas e explodir com os novos, além do que a ética/estética dos burgos possa supor. Rótulos (pop-metal-mpb-novo folk,etc),a divisão (e luta) de classes,seus valores e adversidades, são peças de um jogo que freqüentam (ou não,no caso dos independentes) as prateleiras do Super Mercado da vida.


John Lennon uma vez disse que “o rock será o que fizermos dele”. Uma leitura crítica do mundo em que vivemos é bem-vinda a despeito do meio ou maneira em que ela é difundida. Um conteúdo que remeta às origens da luta por um lugar melhor sem abrir mão de saudáveis provocações,indo além das aparências que enganam. E muito,muito som mesmo,rolará.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

ZERO _OITOCENTOS

Não tem preço o apreço até parece que foi agora há pouco a gente se encontrou estamos lado a lado olhando pro horizonte em linhas paralelas um talho no dedo cortando tempero um calo na mão trocando pneu nem cefaléia nem dor de cabeça a maré onda pós ondas de lá pra trás tudo era diferente o supermercado é um detalhe a conta da luz é um detalhe a vizinhança um detalhe a vida é um retalho de luz

nenem nem fale não a cidade se revelou um bosque com lobos humanos antes contávamos o tempo agora o cálculo é de corpos e quem vive ainda vê os corvos na tevê a vida é um retalho de luz um talho no dedo cortando tempero um calo na mão trocando pneu na hora do show o supermercado é um detalhe a conta da luz é um detalhe a vizinhança ,um detalhe a vida a vida ela é a sua mãe.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

UM
BIGADA

Convido a todos os meninos e meninas de boa vontade para a apresentação dos AVYADORES DO BRAZYL,banda da qual este humilde digitador faz parte,no dia 23 de outubro (quinta!) no BAR DO GORDO. O Gordo é naturalmente point alternativo pra órfão da sonzeira que rolava no Estranho nenhum botar defeito.
O bar fica na avenida Alberto Lamego,em frente à UENF e os trabalhos começam a partir das 23:30,nem tão britanicamente...



terça-feira, 9 de setembro de 2008


PAPEL PASSADO
OU
UM SAMBINHA PRA VARIAR


Rapaz,pelo que você me disse
ela hoje se parece
com um jornal de ontem
que trazia boas novas
(raridade...)
será que vale a pena
ler de novo?
ou será que a sua miopia aumentou?
ela sempre vai te contar
o que se passou
no dia anterior
um decote sensual
pra te seduzir
palavras cruzadas,
charadas
tiras de quadrinhos
para adultos

então você vai se lembrar
de não ter tido tempo
de folhear o caderno B
e vai virar a página.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

COISAS DUSOTROS

1: O ABRIGO DA ESCÓRIA por Ely Mira


Gostaria que meu lar fosse o abrigo para os perdidos, ateus e perseguidos Gostaria que lar fosse o aconchego dos sem amor, sem fé e sem amigo Gostaria que esse lar fosse agasalho para os ombros desnudos e feridos, com as chagas feitas pela vida.
Gostaria que meu lar fosse um carvalho frondoso, com sombra generosa, dando fresca a todos os canalhas, aqueles que pensam diferente, buscando uma verdade escondida, não encontrada no meio dessa gente, juízes do certo e do errado, elitistas da mente apodrecida.
Gostaria que meu lar fosse orfanato acolhendo crianças mal-amadas, espermatozóides de endereço errado sangue, células, mentes deformadas. Gostaria que meu lar fosse um mosteiro guardando verdades milenares ouvir a voz do Dalai -Lama se espalhar nas rosas do canteiro. Quem sabe o meu lar fosse uma gruta de pintores rupestres, indecifráveis, não para minha escória, os malfeitores, meus amigos de busca, inseparáveis. Mas o meu lar não passa de um deserto, guardando móveis e não gente..
Eu, o beduíno solitário...
Eu ,a que está longe do que é certo.
Eu,um grão de areia não semente...




2: LÂMINA por Artur Gomes


lâmina me falas de uma cena no centro do aterro e em minha comédia de erros grito dentro do seu drama. o rio que passou em minha vida vem da sua infância não foi canção de paulinho da viola. me transborda me extravasa me atravessa agora nesse tempo em que me recolho no teu colo. ali mesmo de passagem pela pedra em frente a santa úrsula depois do túnel santa bárbara era uma vez um rapaz de 17 anos. carlos lacerda era apenas um defunto político e eu escrevia uma coluna de esportes mas minha fome continuou. no palácio do catete sobrevivem os fantasmas de 54 e você ainda me fala de uma cena no bonde do corcovado e eu no centro do aterro falo dentro do seu erro o rio que passou em minha vida vem de sampa não de minas, uma canção de joão do vale carcará ou coisa parecida com forró forrado lá pelas bandas do largo do machado antes de chegar ao catumbi-laranjeiras. quando domingo sol e chuva e me conduzes pela estrada que vai dar em minha casa o rio segue ao nosso encalço lá em baixo em sua triste e silenciosa correnteza enquanto dentro do meu corpo esquenta o sangue e como o mar não está pra peixe eu me esfinjo e te devoro enquanto sua amiga dedilha um violão e tenta entender o que se passa entre nós mas há que ter um tempo BEA nem que seja por um risco pois a vida é como um TRIZ e vale estar em sua vida deste tempo muito antes divina como foi de Dantes num tempo em que se foi feliz bela Ana bela mina Bea vinda bela ainda bea linda BeAtriz.

terça-feira, 24 de junho de 2008


LE DERNIER CRI


O primeiro grito
será o que nunca
foi dito antes
o último grito
virá da maldita
garganta seca
dos famintos

o último grito
dará à luz o anti-mito
sutil como uma manada
de elefantes

o último grito
nunca será escrito
na areia da praia seca
mas na consciência
dos quem tem ouvidos
pra enlouquecer.