quinta-feira, 12 de agosto de 2010




A GRANDE ONDA QUE SUBMERGE TUDO

Inventem algo melhor que a democracia, que eu estarei dentro. Mesmo com adjetivos de estação, é possível ter-se um grau de convivência e discussão em um nível saudável,isto se quisermos,claro. Mas eu ligo o rádio, sintonizo a TV, e passo a perceber que a a Democracia tem um grande inimigo: o abominável pensamento único, ou expressão única, que em termos de mídia difusora da arte do som é resultado da manipulação do paladar do público, em detrimento da produção real e da diversidade. Entram sempre em campo os modismos espaçosos, que em vez de ocuparem lugar sem excluir, é tudo o que temos. ”Onde é que está meu rock’n’roll”,perguntava o velho mutante Arnaldo Batista em seu magnífico álbum Loki?,nos anos 70. O rock tem dessas coisas, procurar a si mesmo. Literalmente degredado e preterido pela(s) bola(s) da vez, o R&R pode ser encontrado desse jeito,como na metalinguagem do Legião Urbana,Música urbana 2: O vento forte, seco e sujo em cantos de concreto/Parece música urbana/E a matilha de crianças sujas no meio da rua/Música urbana./E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.

Se a expressão hoje soa pífia, vomitada pelas bandas teen (teen: adolescente classe- média), verdadeira antítese do que foi o BRock,(justiça seja feita) ,experimentado e conquistado nos anos 80: ou seja, a massificação de um conceito de cultura jovem.No entanto,acredito que alguma coisa vai acontecer (ou já acontece) pelas garagens e pubs da vida: alguém vai ter de contar essa história,tim-tim por tim-tim,do começo ao fim.No mais,os apreciadores do rock sabem que ele no Brasil sobreviveu à ditadura militar,à disco music,lambadas e bofetões e vai sair dessa só com algumas escoriações da marolinha com cara de tsunami,o sertanejo universo-otário.

E por último, com não menos importância: meus jovens músicos, cuidado com o ecletismo, ele pode ser a porta aberta para o mau-gosto.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PRIMEIRA NOITE DO ENCRAVO E A ROSA!

Dia 6 agosto 21:00h – MPBar
Rua Afonso Coelho da Silva, 34 – Flamboyant
Campos dos Goytacazes – RJ

Luizz Ribeiro + Sérgio Máximo +
Clara Brito + Artur Gomes + Lolô




Photobucket

sábado, 3 de julho de 2010

LA VIE EN BLEU


Quando eu tinha dezessete e todo o direito de ser meio idiota (isso ainda é de lei?),alguém da turma sempre queria saber o que as meninas no colégio escreviam na porta do seu w.c.
Um sentimento assim meio enfant terrible, suposto rei do drible –nunca fui bom de bola.
Porém nada é melhor do que desabar das nuvens,em vez da janela do 401. Só quem chegou primeiro talvez possa contar com minúcias o que aconteceu naquela esquina do tempo. Sei
que tudo é permitido, mas nem tudo bom pra mim, enquanto as horas escoam; aqui uns pedem, outros dão propina, quem precisa nesse mundo de crack ou cocaína, no lugar de carinho e colo? Mas o caso é que é preciso muito cuidado com a tristeza; ela pode um belo dia lhe pegar pelo pé, e por incrível que não pareça, você não queira que ela vá embora.

Tive um sonho há algum tempo, pessoas na rua portavam faixas de várias cores, e eu as observava do alto de um prédio. Os dizeres para mim,na atmosfera onírica, não eram bizarros: uma faixa azul trazia escrito “não é o paraíso, é só estupidez”; outra, vermelha: “não é o que eu preciso, é só o fim do mês”; a roxa: “não é a lira do delírio, é só a lucidez”; a última, preta e sem mensagem alguma, e eu a completei mentalmente com letra brancas: “não é um jogo sujo, e eu passo a bola pra vocês”.

domingo, 2 de maio de 2010

COISAS DUSOTROS #3
by ely mira



quarta-feira, 21 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010


A HORA E A VEZ DA
PAJELANÇA CULTURAL

Não tenho a mínima gana de ser politicamente correto,assim talvez possa rir um pouco mais... de mim mesmo. E ser pra que? A mentira da mentira me dá um baita enjôo. Um amigo meu,e colega da música,mentalizou um xamã goytacá que poderia varrer esse marasmo e lassidão movido a conservadorismo e- por que não dizer- visão tacanha do mundo. Não aceito viver numa cidade que poderia ser a segunda do Estado,e agora vive à beira de um flagelo econômico e ao mesmo tempo,coexiste com a falta de identidade cultural,essa anemia crônica que nos enfraquece a cada dia. Um super-pajé sim,com lança e tudo,espetando e espantando para outras plagas a nossa desunião e falta de vontade para equacionarmos nossos problemas,e resolve-los,claro.
Bola dentro,my friend...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010



BLUES E CINZAS

Uns dizem que é como se fosse a alegria do desespero,outros garantem
que é tudo que se tem para viver nesta vida,aqui e agora,sem nenhum amanhã.
Falo do Carnaval,que volta impávido no ano que vem. Mesmo não sendo um aficionado,
nem ‘‘folião”,não compartilho da opinião que ele deva ser varrido
do mapa e do calendário:isso é atitude de radical-choque. É como toda moeda
tem dois lados e embora algumas não valham nada,o trânsito na cidade fica uma
beleza só... Quem é cinqüentão e campista como eu,deve ter visto outros
carnavais, mas eu não sinto pena,que por sinal é um dos piores sentimentos.

O mundo gira e a caravana rola: sairemos da freqüência sonora de músicas do tríduo momesco (e mais alguns dias!) para a música de ‘‘meio-do-ano”. É obvio que algumas continuarão na árdua tarefa de tentar fazermos crer que é preciso estarmos sempre alegrinhos,ou na pior das hipóteses,simular isso. Foi bom pra você?

Ouvir blues debaixo desse céu azul de metileno - contabilize aí quarenta e sete dias
sem chover- é como ter certeza de que as nuvens virão, carregadas de água para abaixar a poeira e começarmos o ano de 2010 (é nossa Cultura que empurra assim, “o Brasil só começa depois do carnaval”). Que injustiça,este é um país onde a maioria dá um duro e ganha pouco e constrói riquezas... pros outros. Mesmo com todo progresso. Como diz o pagode da TV ‘‘isso é globalização” também,meu irmão. Mas virá a chuva,dia menos dia, os incêndios debelados e ficarão as cinzas, como prova de que na vida,como no blues,é preciso darmos uma meia-volta e recomeçar tudo de novo,da melhor forma possível,naquela parte que nos cabe dentro dos exatos doze compassos.