AINDA BEM QUE SOMOS DU BEM

Perdemos um pouco da nossa essência quando deixamos de lado nossa capacidade de indignação. Pretextos de sobra não faltam por essa terra de Deus,mas o pior é quando é a parte que nos toca e cerramos os olhos,deixando o caminhão nos atropelar. Sempre confiei na expressão artística como uma espécie de rebatimento,devolução,uma retroalimentação que não tem hora para acabar.
Quem é da música e escolheu (ou foi escolhido) o Rock vai se relembrar dos primeiros tempos, dos primeiros acordes na primeira guitarra (que a gente nunca esquece) e que a banda um dia já tocou diferente. Pobre/rica Campos dos Goytacazes Ausentes,com uma dezena de grupos roqueiros atirando em diversas direções,afinando a mira enquanto o planeta gira. O mesmo mundo que vai colocar cada baixista,cada guitarrista,cada vocalista ou tecladista contra a muralha e indagar “o que você ganha pensando que vai alterar o rumo das coisas?” Falando claro: a partir daí pode surgir uma relação de cinismo com a lide artística,em nome de uma equivocada busca por um ideal de “profissionalização” ,que mais tarde vai transformar o jovem músico num trabalhador alienado,aquele não sabe o motivo da festa em que toca,mais importam os (ir)reais. A Bufunfa. La plata,hermano. Mim ser um cachê killer.
São muitas as vontades nessa vida,companheiro,mas se for possível,é melhor não pisar no pescoço do próximo (principalmente se ele toca um instrumento),sendo você o darling momentâneo de qualquer situação. Puxar tapete (mesmo persa) também não vale. É pênalti. Não temos tempo a perder, porém um pouco de norte e ética são sempre bem-vindos. Finalizo aqui com um trecho de uma letra escrita por mim e minha parceira Ely Mira,e que ainda não virou rock’n’roll:
Às vezes cruzamos os braços, os dedos em figa/assistindo a briga do bem contra o mal
sem sujar nossas mãos/mesmo que nos obriguem a informar as nossas digitais e o fundo do olho,passando pelo coração /tantos erros repetidos de geração em geração.
agora, sem contar de 1 à 100: (isso é 1 refrão)/AINDA BEM Q SOMOS DU BEM.