terça-feira, 10 de junho de 2008

A OUSADIA QUE MARCOU OS ANOS 60

Nada mais gratificante para um músico dedicado ao R&R do que tocar Beatles.É uma viagem na História desse garoto velho que muitos (e no fundo este que escreve estas) acreditam que tem ainda suas chances de participar da mudança desse mundo injusto e absurdo. Aqueles 4 representam a ruptura com a ingenuidade do Rock americano com sua adaptação à realidade do pós-guerra europeu,criando um discurso voltado para o existencial, das possibilidades e novas formas de se fazer política.

Então vem o SESC/Campos com o evento "Beatles: a ousadia que marcou os anos 60". Estarei lá com a Avyadores dia 12 ,quinta-feira, partir das oito da noite (a pontualidade vai se quase britânica) e pela primeira vez num espetáculo totalmente voltado para o quarteto de Liverpool, embora venha há tempos interpretando a maioria do repertório que estamos ensaiando. Pra quem como eu que ouve Beatles desde a pré-adolescência, considero um resgate emocional. Então amigos e amigas,estão todos convidados.

Let me take you down,cause I'm going to....


3 comentários:

Gustavo Rangel disse...

luiz partabéns pelo show..aproveitando o mote beatles, passa no meu blog que tem algo sobre eles lá!! abraços!!!

Claudio disse...

Amigo Luizz. A bem da verdade, a proposta inicial da primeira década de produção dos Beatles não era a de subverter a cena política ou de costumes da Europa de então. Depois da "chamada" do Bob Dylan no famoso encontro com o John Lennon, as composições dos Fab 4 passaram a abordar temas mais contemporâneos e que na verdade se originaram do movimento americano beatnik/hippie, inclusive com a ida aos USA para conhecer o guru indiano que "fez" a cabeça até do "careta" Paul. Uma leitura mais profunda da cena musical pós-guerra mostra que os USA eram a locomotiva - principalmente com os Folk Songs de Dylan e cia - e os Beatles / Europa os vagões.

Luizz Ribeiro disse...

Em parte você tem razão,Cláudio,os 4 não se agruparam para começar uma "revolução". Essa é a visão que hoje nós temos do conjunto da obra dos Beatles (e alguns congêneres do velho continente,como Stones,Who,Floyd,etc),cuja experimentação radical foi o combustível do rock 60. Ali começou a verdadeira internacionalização do movimento,liberto das amarras do rythym&blues/folk americano e flertando com outras culturas (a semente da world music lançada ao som do sitar e tablas) e o exemplo chegando até à Terra Brasilis.
Como não se tira nada do zero,é claro que tem que haver influências,e aquela geração de britânicos ultrapassaram seus mestres. O próprio Dylan não era um rocker, até empunhar uma guitarra (porque os tempos eles estavam mudando) no festival folk de Newport e ser chamado de traidor como Caetano o foi na Tropicália.
O maior legado que devemos às bandas oriundas do Reino Unido foi a forma (meio), além do conteúdo (mensagem).